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O "NOVO" SISTEMA SOLAR
A classe dos astrônomos tem me deixado um tanto ressabiado, nos últimos anos, com seus acessos de vedetismo, como no episódio badalado pela imprensa internacional da incrível "descoberta" de dois de seus próceres (Karl Glazebrook e Ivan Baldry) de que "O Universo é bege-rosado e não verde-claro como eles pensavam até então" e no episódio mais recente da "descoberta" de outro deles (Krzysztof Stanek) de que "O Universo é maior e mais velho do que ele pensava". São estranhíssimas essas definições da cor, do tamanho e da idade do infinito! Fica a impressão que os astrônomos ainda resistem à idéia de que existe vida inteligente além do alcance dos seus telescópios. Mais conservadores do que eles, só os astrólogos, que ainda hoje elaboram seus mapas astrais tendo por base uma carta celeste do século onze (v. Os verdadeiros signos do zodíaco). Agora, a bola da vez é a quantidade de planetas do Sistema Solar. Fico com um pé atrás, mas meus leitores precisam ter uma idéia dos números que envolvem a mais recente discussão: O que é planeta e quantos deles compõem o Sistema Solar? Encontro de quase 2.500 astrônomos de 75 países, em Praga, na República Tcheca, discute o tema. Um dos organizadores do encontro é Pavel Suchan. Diferentemente da definição primordial, que demandou seis dias (Genesis, 1), eles esperam concluir os trabalhos em doze dias (14 a 25/8/2006). Os primeiros rumores indicam um acréscimo de três "irmãozinhos" da Terra (Ceres, Caronte e Xena), todos menores do que a Lua! Mas não se surpreenda: Plutão também é menor do que a Lua. E também não se surpreenda se da noite para o dia o número de planetas passar de cinqüenta! Até "icebergs" (objetos planetários gelados) estão concorrendo à "promoção". Ou se o número cair e Plutão perder o status de planeta! Está instalado o rebuliço cósmico! Se a coisa ficar nos mencionados doze planetas, veja a minha concepção artística, só para ter idéia do tamanho comparativo deles e da distância média entre eles e o Sol. O nome dos novatos ainda pode mudar. Xena, por sinal, é nome provisório do objeto identificado tecnicamente como 2003 UB313 ![]()
Antes que você me pergunte por que 2003 UB313 eu respondo: 2003 é o ano da descoberta, U é a quinzena da descoberta (A=1ª quinzena de janeiro, B=2ª quinzena de janeiro... I/J=1ª quinzena de maio, K=2ª quinzena de maio... Y=2ª quinzena de dezembro), B é o número de ordem das descobertas da quinzena (A=1, B=2... I/J=9, K=10... Z=25) e 313 parece ser o nº da Circular da União Astronômica Internacional (UAI) que publicou a descoberta. 2003 UB indica a segunda descoberta na 2ª quinzena de outubro (Xena foi descoberto em 21/10/2003). Se houvesse uma 26ª e uma 27ª descobertas na mesma quinzena, elas levariam o nº de registro 2003 UA1, 2003 UB1 e assim por diante. Não me pergunte por que a UAI não preferiu a designação lógica para os registros: Xena, por exemplo, seria 2003 1021 e um eventual segundo registro no mesmo dia seria 2003 10212 (se isso não fosse simples demais para a seleta classe dos astrônomos). |