O "NOVO" SISTEMA SOLAR

Fecham-se as cortinas e o astro não volta mais à cena. Depois de uma vida breve, morre o mais novo dos irmãos da Terra, Plutão, na tenra idade de 76 anos, e deixa órfão Caronte, que não se sabe se foi seu filho legítimo. No mesmo incidente, são sepultados os natimortos Ceres e 2003 UB313 que sequer foi batizado. Na sua lápide, apenas o apelido carinhoso: Xena. Reescreve-se a história do mundo. O Sistema Solar só tem oito planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

União Astronômica Internacional
XXVI Assembléia Geral
Praga, República Tcheca, 14/25 de agosto de 2006.


A classe dos astrônomos tem me deixado um tanto ressabiado, nos últimos anos, com seus acessos de vedetismo, como no episódio badalado pela imprensa internacional da incrível "descoberta" de dois de seus próceres (Karl Glazebrook e Ivan Baldry) de que "O Universo é bege-rosado e não verde-claro como eles pensavam até então" e no episódio mais recente da "descoberta" de outro deles (Krzysztof Stanek) de que "O Universo é maior e mais velho do que ele pensava". São estranhíssimas essas definições da cor, do tamanho e da idade do infinito! Fica a impressão que os astrônomos ainda resistem à idéia de que existe vida inteligente além do alcance dos seus telescópios. Mais conservadores do que eles, só os astrólogos, que ainda hoje elaboram seus mapas astrais tendo por base uma carta celeste do século onze.

As "descobertas" não param. Em março de 2013 cientistas da Agência Espacial Européia (ESA) divulgam nova "errata" a respeito da idade do Universo: ele teria 13.800.000.000 de anos e não 13.750.000.000, como informado anteriormente! É surpreendente a insistência dos cientistas terráqueos na fixação da idade do infinito, com essa precisão de dezenas de milhões de anos! A continuar assim, ainda leremos um dia que os cientistas da NASA, da ESA ou de outra agência terrena "descobriram" o dia, mês e ano do nascimento do Universo, além da sua cor e do seu tamanho definitivos! Enfim, a desmoralização impiedosa do Infinito e a descoberta do Nada – o tempo anterior ao nascimento do Universo e o espaço além das suas fronteiras!

Aliás, a pretensão dos astrônomos e dos astrofísicos não se limita aos anúncios repetitivos de "descobertas" mirabolantes em torno das características do universo e de confissões "constrangidas" de que antes haviam errado quanto à sua cor, ao seu tamanho ou à sua idade. E então inundam o noticiário mundial com as "novidades", como se agora eles tivessem enfim desvendado a cor, o tamanho ou a idade do infinito! A pretensão deles vai mais além. A mais recente cartada é a badalação em torno da "descoberta" da partícula de Deus, ou do bóson de Higgs, como sendo a definitiva "descoberta" da explicação da origem do universo! Duas coisas chamam a atenção no anúncio deste mês de julho de 2012: a primeira é o insistente e sintomático uso do futuro do pretérito na redação dos textos "científicos" ("a pesquisa poderia estar chegando ao fim", "estaria explicada a formação do universo", "estaria confirmada a existência da partícula" etc.). A segunda é o preocupante anúncio que o ministro brasileiro da Ciência, Tecnologia e Inovação já aprovou o início das tratativas para que o Brasil entre no consórcio das nações que patrocinam as pesquisas promovidas pelo Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN - Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire). Ou seja: o meu Imposto de Renda vai ajudar a pagar a farra das vedetes da astrofísica!

Mas algo está errado comigo: enquanto eu critico a "descoberta" da partícula de Deus, o seu "descobridor" e um parceiro, Peter Higgs e François Englert, recebem da Real Academia Sueca de Ciência o Prêmio Nobel de Física 2013, por suas pesquisas. Mais uma festa de premiação que o meu Imposto de Renda vai ajudar a pagar!

Agora, a bola da vez é a quantidade de planetas do Sistema Solar. Fico com um pé atrás, mas meus leitores precisam ter uma idéia dos números que envolvem a mais recente discussão: O que é planeta e quantos deles compõem o Sistema Solar? Encontro de quase 2.500 astrônomos de 75 países, em Praga, na República Tcheca, discute o tema. Um dos organizadores do encontro é Pavel Suchan. Diferentemente da definição primordial, que demandou seis dias (Genesis, 1), eles esperam concluir os trabalhos em doze dias (14 a 25/8/2006). Os primeiros rumores indicam um acréscimo de três "irmãozinhos" da Terra (Ceres, Caronte e Xena), todos menores do que a Lua! Mas não se surpreenda: Plutão também é menor do que a Lua. E também não se surpreenda se da noite para o dia o número de planetas passar de cinqüenta! Até "icebergs" (objetos planetários gelados) estão concorrendo à "promoção". Ou se o número cair e Plutão perder o status de planeta! Está instalado o rebuliço cósmico!

Se a coisa ficar nos mencionados doze planetas, veja a minha concepção artística, só para ter idéia do tamanho comparativo deles e da distância média entre eles e o Sol. O nome dos novatos ainda pode mudar. Xena, por sinal, é nome provisório do objeto identificado tecnicamente como 2003 UB313

Antes que você me pergunte por que 2003 UB313 eu respondo: 2003 é o ano da descoberta, U é a quinzena da descoberta (A=1ª quinzena de janeiro, B=2ª quinzena de janeiro... I/J=1ª quinzena de maio, K=2ª quinzena de maio... Y=2ª quinzena de dezembro), B é o número de ordem das descobertas da quinzena (A=1, B=2... I/J=9, K=10... Z=25) e 313 parece ser o nº da Circular da União Astronômica Internacional (UAI) que publicou a descoberta (reiniciado anualmente). 2003 UB indica a segunda descoberta na 2ª quinzena de outubro (Xena foi descoberto em 21/10/2003). Se houvesse uma 26ª e uma 27ª descobertas na mesma quinzena, elas levariam o nº de registro 2003 UA1, 2003 UB1 e assim por diante. Não me pergunte por que a UAI não preferiu a designação lógica para os registros: Xena, por exemplo, seria 2003 1021 e um eventual segundo registro no mesmo dia seria 2003 10212 (se isso não fosse simples demais para a seleta classe dos astrônomos).

Asteróide 2012 DA14
Está em todos os jornais, hoje (06/02/2013), que em 15/02/2013 o asteróide 2012 DA14, uma rocha com supostos 50m de diâmetro, vai passar a 22.000km da Terra, sem apresentar riscos de colisão, segundo a NASA (National Aeronautics and Space Administration). Essa distância está bem abaixo do Anel de Clarke (35.786km) e o asteróide deve "furar" o plano do Anel de Clarke por volta das 19:30hs GMT (17:30hs no horário de verão brasileiro). Mas os brasileiros podem perder a esperança de vê-lo passar, pois a aproximação dar-se-á sobre o Oceano Índico, no outro lado do globo, a se confirmarem os cálculos da NASA.

Uma rocha esférica com 50m de diâmetro tem 65.450m³ [4PIr³/3]. Se o asteróide tiver densidade equivalente à do alumínio (2,7 toneladas por metro cúbico) ou à do ferro (7,87 toneladas por metro cúbico), teremos algo em torno de 176.000 ou 515.000 toneladas! Para nós que não fazemos idéia das dimensões de um bólido de 50m de diâmetro, imagine-se um cubo do tamanho de um prédio quadrado de 13 andares:

Passou o dia 15/02/2013 e não se tem notícia que o asteróide 2012 DA14 tenha colidido com a Terra. O bólido perdeu-se no espaço. Surpreendentemente, na manhã desta mesma sexta-feira, na cidade russa de Chelyabinsk, a sudeste de Moscou, às 05:30hs GMT (03:30hs no horário de verão brasileiro), caía um meteorito com supostos 15m de diâmetro. Autoridades espaciais afastaram qualquer relação entre os dois acontecimentos, mas a incrível coincidência faz-me perguntar se não é temerário descartar a ligação entre os dois eventos cósmicos verificados com apenas 14 horas de diferença entre si.

Uma rocha esférica com 15m de diâmetro tem 1.767m³ [4PIr³/3]. Se o meteorito tivesse densidade equivalente à do alumínio (2,7 toneladas por metro cúbico) ou à do ferro (7,87 toneladas por metro cúbico), teríamos algo em torno de 4.770 ou 13.900 toneladas! Todavia, astrônomos russos mencionam um meteorito de 10 toneladas. Ficou confuso. Eles devem estar se referindo ao fragmento que abriu uma cratera de 6m no lago gelado de Chebarkul, 78km a oeste de Chelyabinsk. O que continua confuso. Um bólido de 10 toneladas não abriria uma cratera de apenas 6m de diâmetro no gelo, a menos que fosse absurdamente aerodinâmico (em formato de agulha).

Em 17/10/2013 os jornais noticiaram que mergulhadores retiraram do lago de Chebarkul uma rocha de 570kg que seria fragmento do meteorito que caiu em Chelyabinsk, desfazendo a confusão referida no item anterior: o que caiu no lago foi apenas um fragmento do meteorito que invadiu a atmosfera terrestre em 15/02/2013. Logo ao retirá-lo da água do lago, o fragmento partiu-se em alguns pedaços. Um dos pedaços maiores aparece aí abaixo:

Outro pedaço – o maior deles – aparece na foto abaixo, como exposto à visitação na própria cidade de Chelyabinsk eu imagino:

Outra foto mostra os pedaços lado a lado, antes que fossem separados. Não sei o destino do pedaço mostrado na primeira foto:


O 9º Planeta e a órbita dos planetas do Sistema Solar
Uma dupla de astrônomos, nos Estados Unidos (Konstantin Batygin e Mike Brown), publicou, em 20/01/2016, haver detectado um nono planeta no Sistema Solar, cuja aproximação do Sol se daria em cerca de 27 bilhões de Km, no seu periélio (mínima distância), e entre 81 e 162 bilhões de Km, no seu afélio (máxima distância). Observe, no desenho, a órbita dos planetas até então conhecidos e a comparação da órbita provável desse novo planeta com a órbita de Netuno, como a comparação da massa e o tempo comparativo da órbita em torno do Sol:

O gráfico acima nos mostra o afastamento de cada planeta em relação ao Sol, mas não nos dá a idéia do grau de achatamento da elipse orbital de cada planeta. Todavia, as tabelas astronômicas comumente nos dão o valor do Semi-eixo maior da elipse (OM) e o valor da Excentricidade (E), que é igual a FO÷OM. Isso equivale a dizer que FO=OMxE. A construção da elipse passa, então, pela resolução de um triângulo-retângulo cuja hipotenusa (a) é igual a OM e cujo cateto (c) é igual a FO. O cateto (b) é resolvido trigonometricamente, conhecidos (a) e (c). O quociente de achatamento será o resultado de b/a. Quanto maior o quociente, mais a elipse se aproximará do círculo:

Veja o exemplo prático, com base na órbita da Terra e de Vênus, e utilizando os valores comumente mostrados nas tabelas astronômicas. Note que a elipse orbital da Terra e de Vênus se confunde com o círculo e que Vênus se apresenta como o planeta de elipse orbital menos achatada:

Note que mesmo o planeta de órbita mais achatada, Mercúrio, tem a elipse muito próxima do círculo:

Se o objetivo do leitor é apenas encontrar o quociente de achatamento da órbita de um ou outro planeta, facilito o seu trabalho com a rotina abaixo. Apenas introduza o valor do semi-eixo maior (em Unidades Astronômicas - UA) e o valor da excentricidade, que são encontrados facilmente nas tabelas astronômicas:

Semi-Eixo Maior em UA
Excentricidade
Achatamento

Fazendo o cálculo de achatamento da elipse para os 8 planetas conhecidos, temos a seguinte tabela, partindo de Vênus (o de órbita menos achatada) até Mercúrio (o de órbita mais achatada). Todavia, o 9º planeta surge com uma elipse orbital hipotética muito mais achatada do que Mercúrio, como aparece na tabela e como dá idéia o desenho a seguir:

                         Achatamento                Semi-eixo maior (UA) Excentricidade
           
                    Vênus       0,99997701               0,7233           0,00678
                    Netuno      0,99996311              30,058            0,008589
                    Terra       0,99986054               1                0,0167
                    Urano       0,99888262              19,182            0,04726
                    Júpiter     0,99882803               5,203            0,0484
                    Saturno     0,99845312               9,539            0,0556
                    Marte       0,99562866               1,5237           0,0934
                    Mercúrio    0,97863611               0,387            0,2056
                    9º Planeta  0,8                    700                0,6

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