LAGES - UM PROJETO DE EMBELEZAMENTO

Sugestão para relocalização do Terminal Rodoviário Urbano da cidade (idéia levada ao gabinete do prefeito de Lages, Raimundo Colombo, em 27/11/2001):

As idéias primordiais são:

- Devolver a Praça Vidal Ramos Sênior ao povo, totalmente ajardinada e arborizada.

- Abortar o projeto de transferência do Terminal para a Praça Joca Neves.

- Facilitar a vida dos moradores do Morro do Posto, usuários do Terminal.

- Ter em mente que as praças devem ser consideradas "santuários" intocáveis, onde só existam o verde, as árvores, as flores, os bancos de jardim, os chafarizes, os espelhos d'água e os monumentos adequados. E nas quais o cimento deva ser restrito aos corredores de passagem dos pedestres.

- As praças pertencem ao povo! Merecem manutenção especial. E não podem ser loteadas e ocupadas por estacionamentos e por prédios públicos e muito menos por prédios comerciais, concedidos a meia dúzia de comerciantes privilegiados.

- Por isso mesmo, decretar-lhes o tombamento (já não são tombadas?) e demolir, além do Terminal, as edificações comerciais e administrativas que tomaram a Praça Vidal Ramos Sênior, como tomaram a Praça João Costa e já ameaçam tomar a Praça Joca Neves. Aliás, a concha acústica da Praça Joca Neves, que nunca deveria ter sido construída, precisa ser demolida urgentemente. Era previsível que se transformasse em dormitório de indigentes e esconderijo de marginais, uma ameaça à segurança e à saúde pública. Aproveitar-se-ia a retroescavadeira na Praça Joca Neves para demolir, enquanto é tempo, aquele demagógico monumento à bíblia, de extremo mau gosto, antes que se eternize simplesmente por antiguidade (e não por beleza). Esses são desafios que eu gostaria de ver na pauta da Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura de Lages.

O estado brasileiro é laico. Praças públicas não são lugares onde devam ser erguidos monumentos religiosos católicos, espíritas, evangélicos, muçulmanos ou de qualquer outra fé. Imagine-se, amanhã, todas as religiões ou seitas reivindicando espaço para os monumentos de sua fé, nas pequenas praças da cidade: não sobraria chão para o verde e para as flores, no meio de tantas cruzes, estrelas de Davi, menorás (candelabros), torás, alcorões, estátuas de Iemanjá, São Jorge, Buda etc.

E o que dizer da Praça João Costa, no particular? Sobrevivente, em uma nesga de terra preciosa, não resistiu à especulação imobiliária! Ainda está em tempo de salvá-la, removendo-lhe as construções verticiais e priorizando o verde. Movendo dali qualquer edificação pública e o comércio estabelecido, que deve ficar restrito às quadras comerciais e residenciais. Aliás, em manifestação recente do comandante da 2ª Região Militar (Correio Lageano de 20/07/2010), sobre a edificação de uma base da Polícia Comunitária no Parque Jonas Ramos, pondera a autoridade que isso está descartado porque já "existe uma base na Praça João Costa" e que a solução não é o posto policial, mas o policiamento ostensivo. Perfeita a colocação do coronel Ernesto José da Silva! Ótima oportunidade para que vereadores do município se mobilizem em favor da demolição do horrendo posto policial em cima do gramado da diminuta Praça João Costa! Ora, esse alojamento de soldados pode ser em qualquer lugar da cidade, como sugere o comandante, mas o último lugar devia ser a espremida Praça João Costa ou qualquer outra praça. E que, com a demolição do posto policial, vá-se também aquele pavoroso e fétido mictório público do subsolo, que a Prefeitura já se confessou incapaz de administrar e que, nestes últimos dias de 2011, teve as escadas interditadas com entulho, lixo e restos de obra, para que ninguém mais o utilize. Vergonha, para nós que amamos Lages. Não se deram sequer ao trabalho de interditá-lo decentemente, com painéis de madeira, pintados, onde bem poderia haver a inscrição: "Desculpem. Não sabemos conservar um mictório público asseado. Desistimos. A Prefeitura". Temos de reconhecer, todavia, que a Prefeitura conseguiu se superar, ao plantar na praça aquelas inacreditáveis e constrangedoras privadas a céu aberto. Apavora-me pensar que essa solução alternativa ao mictório público veio para ficar.

E na Câmara Municipal de Lages? Quem se habilitaria a defender, da tribuna, essa causa em prol do cidadão lageano? Quem desencadearia o estudo da viabilidade técnica da remoção do Terminal, da Praça Vidal Ramos Sênior para a Avenida Belisário Ramos?

Por tudo isso eu diria que Lages merece um projeto sério e definitivo de urbanização, para as nossas quatro praças principais – as três antes citadas e a Praça João Ribeiro – e para as outras. Sempre no sentido de que nelas predomine o verde e que sejam proibidas as construções verticais e a invasão de veículos (caso particular e deplorável do Terminal Urbano na Praça Vidal Ramos Sênior e das viaturas policiais subindo o meio-fio na Praça João Costa). A própria Praça João Ribeiro, até então preservada, viu-se invadida, no inverno de 2009, com a construção de uma casa de madeira mal explicada e felizmente colocada abaixo, antes que se transformasse em abrigo de indigentes, igual à concha acústica da Praça Joca Neves. Que essa idéia infeliz não volte nunca mais.

E, nessa mesma linha de preocupação, cite-se a lamentável prática de mexer nas cores da cidade para afirmar posições político-partidárias. Casos emblemáticos do monumento a Getúlio Vargas, na Praça João Ribeiro, que a cada governo muda de cor, do educandário na Praça João Costa, com a horrível combinação de cores verde e rosa, dos postes de uma ou outra avenida, que ganham cores de bandeiras partidárias, do Tanque (Parque Jonas Ramos), cujas pedras andaram ganhando esquisita cor azul etc. etc. Mencione-se, por oportuno, que o monumento a Getúlio Vargas também foi desfigurado em sua forma, já foi decepado, já foi mutilado, perdeu a leveza da forma e das cores originais. Do jeito que está, melhor seria botá-lo abaixo, juntamente com as outras edificações, nas outras praças, conquanto se mantivesse, no mesmo lugar, o busto do homenageado, sobre pedestal mais discreto para não competir com a visão da nossa bela catedral. A esse propósito, um lageano amigo comentou que bastaria deslocar o busto de Getúlio Vargas para um canto da praça. Eu completaria: deslocá-lo para uma das laterais da praça, a exemplo dos outros bustos ali presentes, do Dr. Walmor Ribeiro, do Dr. Cesar Sartori e de Dom Daniel Hostin, mas abandonar a idéia de manter a cúpula e o painel ao redor da escultura, que só fazem desviar a reverência à memória do ex-presidente.

A minha esperança é que o sábio professor João Preto (autor do desenho) libere o prefeito para promover a relocalização do busto de Getúlio Vargas. Afinal, seriam poucos metros de deslocamento. Cite-se o paralelo histórico do monumento ao laçador, em Porto Alegre (RS), que foi deslocado para 750 metros da localização original, com ótimo resultado visual. E, para ficar na história lageana, cite-se a cadeia pública, que foi removida da localização original (a Praça João Costa) para a rua Lauro Müller e depois para o caminho dos Índios, com evidente benefício para a cidade.

Aliás, na minha modesta opinião, o busto do ex-presidente – e somente o busto, sobre singelo pedestal – estaria muito melhor na simpática Praça da Imprensa, na confluência da Rua Emiliano Ramos com a Avenida Presidente Vargas, assim como a estátua do fundador da cidade, Antônio Corrêa Pinto de Macedo, está na entrada da Rua Corrêa Pinto. Seria a mais bela homenagem ao ilustre homem público, vê-lo ali, olhando para a avenida que perpetuou o seu nome. Seriam apenas 800 metros de deslocamento, pouco mais do que os 750 metros de deslocamento do monumento ao laçador em Porto Alegre (RS):

Com a enorme vantagem de devolvermos à nossa velha Praça João Ribeiro a belíssima fotografia da soberba Catedral de Lages, como a víamos na primeira metade do século vinte:

Aliás, eu não consigo entender por que algum lageano ainda defende o que se fez com o visual da Praça João Ribeiro e da Catedral. Explica-se que em momento de comoção os getulistas e petebistas lageanos tivessem tido a infeliz idéia, mas, decorridos mais de cinqüenta anos, é inexplicável que alguém prefira essa imagem atual da praça àquela que tínhamos antes da morte do presidente Getúlio Vargas:

Sinto-me, todavia, como se estivesse enxugando gelo. Depois de tanto lutar em vão pela preservação do visual da nossa belíssima catedral, vejo que as autoridades lageanas, na contramão do processo, partiram para a agressão ao visual do belíssimo prédio da Prefeitura, instalando em ambas as fachadas horrendas máquinas condicionadoras de ar, como se estivéssemos tratando das paredes dos fundos de algum galpão na periferia da cidade e não da edificação mais importante da história política da cidade:

Não deve servir de justificativa, mas convenhamos que não são apenas as autoridades lageanas que têm essa compulsão para "pichar" os seus símbolos. Recentemente o embaixador brasileiro em Roma, na Itália, fez o mesmo na fachada do belíssimo prédio da Embaixada Brasileira, em plena Praça Navona! A diferença é que lá as reclamações surtiram efeito e a geringonça foi removida da sacada, da noite para o dia:

O educandário da Praça João Costa (Colégio Aristiliano Ramos) tornou-se, no apagar das luzes do ano letivo de 2011, um caso à parte: o prédio foi condenado, notadamente por sua idade e por sua estrutura ultrapassada. Do jeito que são as coisas em Lages, temo pelo pior: o prédio e seus anexos serão cercados por tapumes, enquanto se decide o que fazer. As discussões arrastar-se-ão por dez ou vinte anos, os tapumes serão aproveitados como "outdoors" das Casas Bahia ou do Ponto Frio. Por trás dos tapumes as construções apodrecerão e ruirão. Já vimos um exemplo disso no episódio do casarão do coronel Aristiliano Ramos, na Rua Presidente Nereu Ramos, a poucos passos do colégio. Queira Deus que eu esteja errado e que os atuais administradores municipais abandonem a letargia endêmica que assola os mandatários dos três poderes (legislativo, executivo e judiciário), primem pelo dinamismo no exercício de suas funções e adotem a melhor decisão para a comunidade em relação ao precioso espaço central da cidade. Temendo mais uma vez pelo pior, eu preferiria que o espaço fosse incorporado à praça e se transformasse em área verde, onde só existissem gramado, árvores, flores, chafarizes, bancos de jardim e nenhuma construção vertical, nenhuma repartição pública, nenhuma atividade comercial. Enfim, uma grande e bela praça, para o povo.

Lages 1925 - A Praça João Costa, bucólica

Lages 2010 - A mesma praça, 85 anos depois, caótica

O Parque Jonas Ramos não é exceção, no pouco caso dos administradores da cidade com os nossos espaços de lazer. O desleixo com a beleza, a limpeza e a segurança da área é assunto que freqüentemente volta às páginas dos jornais locais. Maior preocupação, nos dias atuais, é o aumento de ocorrências policiais, relacionadas com a presença, ali, de marginais, de viciados e de indigentes. Fato que vem ensejando campanha popular em favor da instalação de um posto policial na área. A manifestação do comandante da 2ª Região Militar a esse respeito (acima) é conclusiva e perfeita: a solução não é o posto policial, mas o policiamento ostensivo, como devia ser em todas as praças e ruas de Lages. Boa oportunidade para se repensar também a existência e a finalidade daqueles casarões no meio do Parque. Eles são absolutamente indispensáveis e importantes para a comunidade?

Fixei residência em Brasília (DF), em 1973, mas sempre que posso volto à minha Lages. E sempre me decepciono com a persistência de problemas que já deveriam estar superados, se contássemos com a boa-vontade dos nossos homens públicos: o primeiro problema é esse do desvirtuamento da finalidade de nossas praças; o segundo é a eterna inconclusão da BR-282; o terceiro é a desfaçatez dos ciclistas que circulam em cima das calçadas destinadas aos pedestres, sob o olhar omisso dos raros policiais que patrulham as nossas ruas; e o quarto é a guerra de aparelhagens de som, instaladas nas portas de estabelecimentos comerciais, como se ainda estivéssemos no tempo em que Lages era escrito com "j", o prefeito era o Vidalzinho, dono da "Força & Luz", e o dono da Rádio Clube e do sistema de som instalado em cima da marquise da Farmácia N. S. das Graças era o Jofre. Em 2010 eu soube que essa guerra de alto-falantes teria sido proibida pela Prefeitura. Em março de 2011 voltei à cidade para conferir. A proibição, se houve, foi solenemente ignorada. Detive-me na Praça João Costa e o que mais se ouvia ali eram os irritantes reclamos provenientes de uma potente caixa de som instalada em loja central e escancaradamente direcionada para a rua. Em dezembro de 2011 retornei à cidade. A potente caixa de som e o desagradável locutor só haviam mudado de porta, de uma farmácia para outra farmácia, na mesma praça. Em novembro de 2012 voltei a Lages. A praça João Costa não podia estar mais caótica: agora não era uma caixa de som infernizando a vida dos passantes; eram três! Duas farmácias e uma loja de bugigangas revezando-se para ver quem falava mais alto, mais irritantemente e por mais tempo! Espanta-me a passividade do meu povo lageano e a falta de autoridade da administração municipal, diante desse desrespeito escancarado ao combate da poluição sonora na cidade. Todavia, o que esperar das autoridades lageanas que historicamente não conseguem erradicar o comércio ilegal e o estacionamento de viaturas policiais nas calçadas, a ocupação das nossas praças por comércio, posto policial, marginais, indigentes, terminal de ônibus, a ocupação do passeio público por ciclistas embarcados etc. etc.? E que estão demorando uma eternidade para colocar abaixo as quatro rótulas assassinas, plantadas no Triângulo, na Av. Marechal Castelo Branco, no Cemitério da Penha e no Minosso? Haverá outras rótulas com meio-fio superior a 18cm (que arrebenta a lataria dos carros) ou dotadas de rampas de paralelepípedos capotadoras de veículos?

Abaixo, a ameaçadora rótula do Triângulo, como existiu até julho de 2013:

Abaixo, a minha concepção artística de uma rótula decente, com meio-fio de 18cm de altura (nada mais do que isso!) e sem aquela rampa capotadora de veículos:

Mas não nos animemos: eu li uma entrevista de uma autoridade da Prefeitura do município, numa reportagem sobre a demolição da rótula assassina, em que o servidor insinuava que a nova rótula "não terá mais do que 50cm de altura" (!). Ou seja: não será um rótula para guiar o trânsito. Continuará sendo uma rótula para provocar acidentes (por prejudicar a visibilidade), para destruir a lataria dos carros (por ter meio-fio superior a 18cm de altura) e para provocar capotamentos (se persistir aquela inexplicável rampa de paralelepípedos).

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© 19/10/2006 Atualizada em 05/11/2015