FIDEL - UMA TEORIA CONSPIRATÓRIA

Há três anos eu tenho uma suspeita que parece não ser compartilhada por nenhum dos analistas internacionais de plantão, sejam eles "comunistas" ou "imperialistas": Fidel Castro foi vítima de uma prosaica barbeiragem (desculpem-me os barbeiros) do camarada engenheiro que projetou aquela plataforma, de onde ele discursou na cidade de Santa Clara, naquele fatídico 20/10/2004. Ao longo daquela plataforma existe um degrau, criminosamente desprovido de uma faixa de cor contrastante ou de uma sinalização vertical, para indicar o desnível. Uma armadilha perfeita, para derrubar o ídolo que sobreviveu a tantas armadilhas ao longo de sua admirável vida pública e para marcar o início do calvário hospitalar a que vive submetido desde então. Eu mencionei barbeiragem. Conspiração, seria a palavra mais certa?

É emblemático, aliás, que o destino, ajudado pelos construtores da plataforma, tenha derrubado Fidel exatamente no mausoléu, em Santa Clara, onde estão depositados os restos mortais do heróico Ernesto "Che" Guevara.

Cultura inútil
Para quem acredita em lobisomem, duas curiosidades: Fidel nasceu em uma sexta-feira 13 de agosto (de 1926). Um dia de muito azar. Para Fulgencio Batista. E acidentou-se a poucos dias de seu aniversário, em outra sexta-feira 13 de agosto (de 2004). Confira em minha página Calendários Perpétuos.

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Après moi le déluge (Louis XV)
Eu acredito que Fidel Castro empolgou o poder em Cuba sinceramente imbuído do espírito de salvá-la das mãos do tirano Fulgencio Batista e devolvê-la às mãos do povo cubano. Eu entendo que no primeiro momento o poder revolucionário haveria de endurecer com os vencidos, sob pena de perder o controle e afundar o país em uma guerra fratricida de proporções dantescas. Eu sei que a devolução do país a seu povo não poderia acontecer em um ou dois anos. Eu admitia que a democratização haveria de demandar cinco ou dez anos. Eu acreditava que Fidel tinha um plano de nação em sua cabeça. Não tinha. Só tinha, vê-se hoje, um plano de poder, como todos os revolucionários vitoriosos do mundo e seus discursos – prontamente esquecidos – de salvadores da pátria. Passaram-se cinco, dez, vinte, cinqüenta anos e o que se vê hoje é que a única alternativa que Fidel oferece a Cuba é seu irmão Raúl. E depois, o dilúvio? Foi para isso a heróica revolução encabeçada por Fidel? Para aboletar-se no cargo vitalício e agora, com quarenta anos de atraso, confessar que não tem mais apego ao poder e sair de cena pela porta dos fundos, enquanto os órfãos de Fulgencio salivam pela reentrada triunfal na Baía dos Porcos?

Raúl Castro e Churchill
Termina mal a era Castro. Em pleno século 21, o último "comunista" vivo do hemisfério ocidental, Raúl Castro, tinha de fazer esse gesto-homenagem ao último "imperialista" morto, Sir Winston Churchill?

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© 15/10/2007 Atualizada em 27/02/2008