O ENIGMA DA PIRÂMIDE

Em um belo dia, depois de terminada a Copa Mundial de Futebol de 2002, a Internet foi inundada com as notícias da "descoberta" que o torneio estava regido pelo número mágico 3964. Ponderavam os "numerólogos" que deu Argentina em 1978+1986 (soma: 3964), Alemanha em 1974+1990 (idem), Brasil em 1970+1994 (idem) e Brasil novamente em 1962+2002 (idem).

Os "profetas" passaram por cima da Copa de 1966+1998, quando nesta última devia ter dado Inglaterra, mas deu França, "melando" a brincadeira. A partir daí, "melou-se" também a Copa de 1958+2006, quando nesta última devia ter dado Brasil e deu no que deu: Itália. E "melou" na Copa de 1954+2010, quando nesta última devia ter dado Alemanha e deu Espanha.

Todavia, para botar mais lenha na fogueira, a FIFA elegeu o Brasil como sede da Copa de 2014, reeditando a sede de 1950 (soma: 3964).

Poderíamos definir essa teoria quase confirmada como o Enigma da Pirâmide, cujo vértice superior seria o ano de 1982 e cujos resultados se repetiriam em todos os quadriênios equidistantes a 1982, como na figura abaixo, se os deuses do esporte não fossem uns desmancha-prazeres:

Nessa linha de raciocínio, daria Uruguai em 2014, como em 1950, e em 2018/2022 estaríamos em plena Guerra Mundial como em 1942/1946. E, se ainda existissem gramados na Terra pós-guerra-nuclear, daria Itália em 2026 e 2030, como em 1938 e 1934 e Uruguai novamente em 2034, último ano de Copa Mundial de Futebol, como em 1930, primeiro ano da Copa, fechando o terceiro vértice da pirâmide! E, a prevalecer o descortino dos "numerólogos", Brasil campeão mundial de futebol, NUNCA MAIS! O cetro de hexacampeão ficaria, enfim, nas mãos da Itália.

Hoje, 20/11/2013, definiu-se o último participante da Copa de 2014, a ser disputada no Brasil: o Uruguai! País que, a confirmar-se a "profecia", será o próximo campeão mundial. Não se descarta, portanto, que a "maldição" do número 3964 volte a "assombrar" o certame. Um segundo "maracanazo"? Esperemos para ver!

Hoje, 28/06/2014, "melou-se" mais uma vez a profecia do número 3964: o Uruguai despediu-se da Copa precocemente, perdendo para a Colômbia no mesmo Maracanã onde sagrou-se campeão mundial em 1950, ao derrotar o Brasil na final.

No momento, junho de 2014, já está definida a sede das Copas de 2018 e 2022: Rússia e Qatar. Mas o processo da escolha de Qatar está sob suspeita de fraude, com indícios consistentes de que os votos de membros da Fifa foram comprados. Consta que o qatariano Mohammed bin Hammam desembolsou três milhões de libras (baratíssimo!) para subornar membros da Fifa.

Finalmente, em 13/07/2014, a Alemanha sagra-se campeã mundial pela quarta vez, "melando" mais uma vez a "profecia" do número 3964.

Em 13/11/2014 a Fifa descartou todos os indícios de suborno que pairavam sobre o processo de escolha do Qatar como sede da Copa em 2022, dizendo que a investigação interna não apontou "qualquer violação ou quebra de regras e regulamentos" e que "continuará com os preparativos para os Mundiais de 2018 e 2022, que, inclusive, já estão em andamento". Desfaçatez, cinismo, parecem as palavras mais certas para definir a postura da entidade máxima do futebol. Hammam é aquele ex-membro executivo da Fifa e ex-presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC) que em 23/07/2011 foi banido do esporte pela Comissão de Ética da Fifa, depois de ser acusado de suborno de eleitores durante a sua campanha pela presidência da Entidade. Resta saber quando a Fifa errou: em 2011, quando baniu o parceiro, ou agora em 2014, quando o inocentou?

Em maio de 2015 a Fifa ocupou definitivamente as páginas policiais da imprensa internacional. Muitos de seus dirigentes estão na cadeia, acusados de corrupção, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, está confinado no Brasil. Não pode sair do país, temeroso de ser preso pela Interpol. Del Nero, como Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, também são réus junto ao Departamento de Justiça dos EUA, no caso de corrupção na Fifa. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o presidente da UEFA, Michel Platini, aparecem, igualmente, como suspeitos no episódio, razão por que foram suspensos do cargo pelo Comitê de Ética da Fifa, ao lado de Jérôme Valcke, ex-secretário-geral da Fifa, e de Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol, este último acusado de suborno para votar no Qatar para sede da Copa de 2022, o que reacende a suspeita de que é ZERO o grau de legitimidade da escolha de Rússia e Qatar para sedes das Copas de 2018 e 2022. Finalmente, em 21/12/2015, o Comitê de Ética da Fifa baniu do esporte Joseph Blatter e Michel Platini, o que nos faz perguntar de que forma a Instituição vai recuperar sua credibilidade.

nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnJoseph Blatter, 20/07/2015

Outra coincidência curiosa está a ponto de acontecer, se o rumo dos acontecimentos inviabilizar as Copas na Rússia e no Qatar, em 2018 e 2022: A 2ª Guerra Mundial inviabilizou as Copas de 1942 e 1946. Pois bem, 1942+2022=3964 e 1946+2018=3964. Ironia do destino?

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© 07/05/2006 Atualizada em 22/12/2015