BRASÍLIA ÓBVIA

As Organizações Niemeyer, através do seu imortal fundador e porta-voz, arquiteto Oscar Niemeyer, voltam às páginas dos jornais, pela milésima vez (em 02/02/2009), para defender agora o seu projeto da Praça da Soberania, no Eixo Monumental em Brasília, e surpreendentemente o arquiteto verbera "...o tombamento da cidade é uma mentira e uma besteira..." e "...as cidades sempre acabam sendo modificadas, queiram ou não queiram...".

Estranhíssimos argumentos, quando há apenas dois anos o arquiteto deblaterava contra a proposta de continuação da pista de descida de Eixo, rumo à Ponte JK, sob o idêntico argumento que hoje repudia: o tombamento da cidade. Incoerências à parte, eis uma bela oportunidade para retomar a discussão da imprescindível duplicação da avenida, abruptamente estrangulada na Praça dos Três Poderes.

É verdade que a solução apresentada pelo GDF na ocasião deu munição aos críticos, pois apenas desviava o trânsito por algumas dezenas de metros, como se todo o problema se resumisse a diminuir o trânsito em frente à janela do gabinete do presidente da república, no Palácio do Planalto. Persistiriam os problemas da pista de mão dupla, abaixo do Palácio, incluir-se-ia um pavoroso túnel na descida do Eixo e não se contemplaria o óbvio: a ligação direta Eixo/Ponte JK, destino predominante dos que hoje descem o Eixo além dos limites da Esplanada dos Ministérios.

Não concordo com o arquiteto quando diz que "o tombamento de Brasília é uma besteira". Concordo, todavia, com a evidência que é "uma mentira", pois todos os dias nós vemos mil pequenas e grandes tentativas de deturpação do plano diretor da cidade, a maioria delas consumada sob os olhares complacentes das autoridades competentes. Tentativas de deturpação que, volta e meia, têm o patrocínio das próprias Organizações Niemeyer.

E, quando se impôs uma obra inadiável, como a continuação da pista Sul do Eixo Monumental, até a ligação com o acesso à Ponte JK, logo o arquiteto se apressou em insurgir-se - algo me diz que o fez porque a idéia não foi dele - com o argumento do tombamento, como se a própria construção da Ponte JK não tivesse sido uma monumental guinada no plano diretor da cidade, a exigir a solução que ora se discute, diante do gigantesco incremento no trânsito automotivo no sentido Centro da cidade/Lago Sul.

Por isso tudo eu pergunto: Por que não retomar a discussão, olhando, no croqui acima, a solução que apresento de graça às autoridades competentes e que me parece a óbvia, inevitável e inadiável solução? Contemplando o traçado atual da pista e o desvio proposto pelo GDF, concluímos que, definitivamente, a linha reta e a céu aberto será sempre preferencial a quebradas e a túneis, notadamente quando, no caso, estamos diante de um terreno plano e ermo.

Em tempo, um sinal de que nem tudo está perdido: as Organizações Niemeyer recuam do projeto da Praça da Soberania.

................................Correio Braziliense - 04/04/2009

Dediquemo-nos agora ao que interessa: o término da duplicação do Eixo Monumental, rumo à Ponte JK.

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© 03/02/2009 Atualizada em 08/10/2012